segunda-feira, 1 de abril de 2013

Fenômeno Religioso - "a necessidade de Deus"


O Fenômeno Religioso é um fenômeno humano.

Sendo o professor da área de Religião, da faculdade, uma de minhas matérias é psicologia da Religião. Gostaria então de contribuir com o pensamento sobre este fenômeno humano que é constatado em todos os povos, todas as culturas, e em todos os tempos.

O Fenômeno é um fato constatável pela observação na Natureza. Alguns fenômenos podem ter explicações que diferem do perceptível, ou do visível, como é o caso no deserto da “miragem”. A “Miragem” é um fenômeno perceptível e visível, por qualquer um que ande no deserto. Eu mesmo andando no deserto pude ver  “miragem” de um grande lago, que não existia. Ao caminhar percebia que o “lago” desaparecia, e se distanciava. Este é um fenômeno explicável, pois é físico. Assim como a “miragem”, o fenômeno religioso é observado em todos os seres humanos. Talvez a explicação seja diferente do fenômeno, contudo utilizando das técnicas da psicologia podemos verificar este fenômeno. Existem algumas teses sobre a “origem” do fenômeno religioso, como as teorias de Freud, Jung, Gordon Alport e Anton Bolsen, mas nenhuma delas, no meu entender apontam para a explicação bíblica. Considero como um teólogo e cristão que a Bíblia não é um livro qualquer, é de fato o discurso divino para o homem. É uma revelação de sua pessoa e acima de tudo de sua mensagem para o homem. Deus quis falar com o homem de forma escrita, por isto começou a escrever a Bíblia de “próprio punho”, no monte Sinai com Moisés. Foi Deus que escreveu em tábuas de pedra os dez mandamentos, a constituição da lei mosaica.

Considero que Bolsen, um capelão e pastor evangélico,  foi o que mais se aproximou de um pensamento cristão e bíblico. Contudo as distorções promovidas por suas crises tenham o fixado em um ponto apenas, o ponto do conflito, da esquizofrenia. De fato o fenômeno religioso é fruto de um conflito, mas não o conflito sexual que Freud afirma ser, ou o conflito existencial que Bolsen afirma. Nem mesmo creio ser o inconsciente coletivo que Jung, que apesar de filho de um pastor protestante, afirma ser. Creio que também não é o PROPRIUM de Alport, e ele também era um professor de Havard, psicólogo e protestante.  A idéia que o fenômeno religioso resulta de apenas uma experiência pessoal, pode ser parte, mas não é a explicação integral, pois muitos tem a mesma experiência. O pensamento Freudiano, que nem mesmo dizia acreditar em Deus, o que o coloca como um pensador que ignora o óbvio, ou seja, a existência de Deus não é questionável, é óbvia, é lógica; é um pensamento humanista e sem qualquer embasamento bíblico. Em nenhum momento Freud considera a Bíblia como base de revelação. Qualquer ser humano sabe interiormente e após analise lógica da natureza que Deus existe e que se comunica com o homem. Estou sendo um pouco “radical” quando se pensa de forma cientifica, mas de forma teológica e cristã, estou sendo natural. Se alguém que se diz cristão, não crer na existência de Deus, e não colocar a Bíblia como a base de suas teses, este não é cristão, nem mesmo pode dizer que está com uma tese bíblica ou teológica, tem apenas uma tese cientifica.

Acredito que Bolsen chamou a atenção para o fato da crise ou do conflito humano que o fenômeno religioso tem dentro de sua existência. Que Alport chamou a atenção para a “pessoalidade” ou “expressão pessoal” do fenômeno religioso, pois o fenômeno religioso é além de uma expressão coletiva, pois é visto em todas as pessoas como Jung diz, também pessoal e individual. A idéia freudiana diminui o homem a classe animalesca, sem diminuir a grandeza da criação dos animais, mas apenas constatando que Deus criou o homem a sua “imagem e semelhança”, então dizer que a busca de Deus é apenas um desejo sexual, é biblicamente uma blasfêmia.

Então como disse vou contribuir com um conceito para a origem do fenômeno religioso. O fenômeno religioso resulta da necessidade natural e antrópica de unir o espírito humano ao Espirito de Deus, pois Deus é a fonte da vida, e o homem sente necessidade de ter comunhão com Deus.

Diante da origem do fenômeno religioso, que a “necessidade de Deus”, o ser humano cria “religiões”, ou forma de conduta para conseguir unir-se a Deus. Como o homem foi desligado, ou desunido por causa do que a Bíblia chama de pecado, o homem sente um vazio interior, que somente é preenchido por Deus, como diria Billy Graham. O fenômeno religioso se manifesta religiosamente, com Religiões, mas somente Jesus Cristo preenche a necessidade humana, pois somente Jesus pode ser o mediador entre Deus e os homens. Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Jesus é a verdadeira religação com Deus, mas esta religação permanece no ser humano, pois mesmo depois de restaurado esta ligação, a necessidade não é suprida, pois foi criada por Deus como uma necessidade permanente, assim como comer, beber, e dormir. Existem necessidades humanas como procriar que podem ser suprimidas, limitadas e até rejeitadas, mas a “necessidade de Deus” é permanente, insaciável, e não pode ser retirada da natureza humana. O homem foi feito para ter um relacionamento com Deus, e para viver deste relacionamento com Deus, pois a fonte da vida é Deus. 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Fundamentalismo - Uma Benção ou uma maldição?


Na minha dissertação de mestrado, que teve como especialização a teologia sistemática, abordei o tema: Os perigos do fundamentalismo norte americano nos Woffers. 
O fundamentalismo norte americano tem alguns períodos, e foi o grande fomentador e formulador do fundamentalismo religioso, junto com o fundamentalismo germânico  que juntos formam a maior parte do teólogos protestantes. 
Os Woffers são um grupo cristão de forte tendencia fundamentalista norte americana. A própria tese missiológica que considera a cultura americana, também chamada de "American Life", como a cultura cristã a ser imposta para a existência do cristianismo puro, é parte de sua crença prática. As outras igrejas pertencentes ao movimento são claramente dominados pela cultura americana, rejeitando a cultura local. Apesar do termo Woffers parecer uma tentativa de igualar ou identificar a palavra "Wolf", por alguns apologistas norte americanos, o que encontramos em sites, não consideramos o termo agressivo, pois a designação formal do movimento é WFF, sigla de sua igreja. Portanto os Woffers seriam apenas a ligação a sigla. Os Woffers são um movimento cristão, que para muitos tem sido considerado uma seita, contudo após uma análise puramente teológica podemos chegar a conclusão que são cristãos, pois seguem o credo apostólico e as bases reformistas. Tem a tendencia das correntes teológicas chamadas: Batalha Espiritual, incluindo a teoria da libertação de cristãos, e o Movimento da Fé, promovido por Kenneth Haggin, incluindo a teologia da prosperidade e do triunfalismo, com forte tendencia imperialista americana. Considerando a análise sociológica e psicológica do grupo, tem formação que seria classificada pela Ciência da Religião como seita. 
No blog segue toda dissertação, mas abaixo a resenha.

FALEIRO, Marco Antônio de Castro. Os Perigos do fundamentalismo norte americano retratado nos Woffers. Macapá, 2010. 137 p. (Tese para conclusão do Mestrado em Teologia Sistemática da Faculdade FAMA).


 
Exemplifica os perigos que o pensamento fundamentalista pode promover na igreja. O trabalho conceitua o fundamentalismo cristão de linha evangélica com uma ênfase na experiência histórica norte americana. Os perigos são classificados em tópicos, e a experiência dos Woffers, um movimento fundamentalista do sul dos EUA, que tem suas filiais em alguns pontos do mundo, demonstra o extremismo do fundamentalismo norte americano. Os Woffers são defensores dos princípios fundamentais na busca de uma santidade afastando do mundo “profano” e da “igreja meretriz”, mas assim como os fariseus que formaram um manual para cumprir a lei, os Woffers acreditam que somente por meio do cumprimento de seus costumes e usos, a santidade será alcançada. Os Woffers como quase a totalidade dos movimentos de origem cristã da igreja nascem no meio de cristãos sinceros e desejosos de descobrir a vontade de Deus, os Woffers acreditam estar fazendo a vontade de Deus, e de ser o “mover de Deus” na terra. Na sua forma de crer os Woffers demonstram os perigos que o fundamentalismo extremista norte americano pode chegar. O Trabalho também sugeriu algumas hipóteses para eliminar ou minimizar os perigos que podem levar uma igreja para o extremismo ou até para fora do Cristianismo. Este trabalho conclui com um alerta para que as igrejas que podem promover os mesmos erros cometidos pelo extremismo fundamentalista, não promovam uma ética fundamentalista sem os princípios do maior mandamento de Jesus, o Amor. Este trabalho demonstra como um movimento fundamentalista pode chegar a extremos perigosos e despertar a igreja para que não “alimente” algumas facetas destes perigos em sua práxis religiosa. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A Monarquia Parlamentaria de Israel


Gostaria de contribuir para um estudo sócio político do tempo em que Israel foi politicamente organizada da forma diferente de todos os povos de sua época. Eles não eram uma monarquia absolutista como quase todos os povos da época. Eles proporcionaram para o mundo uma nova visão de governo. Um governo Teocrático que tinha uma organização muito diferente. Este governo começou com Moisés e terminou com Samuel, o profeta e juiz.

O sistema político em Israel antes da Monarquia Absolutista que Saul introduziu a pedido do povo de Israel, era um sistema totalmente inovador para todos os povos dos tempos de Moisés até Samuel. Nunca havia tido um povo que tivesse um sistema político tão inovador e diferente. Todos apenas conheciam as monarquias absolutistas, com reis que eram déspotas ou tiranos, apesar de alguns terem sido reis bons para seu povo. Contudo o próprio Deus avisou aos israelitas que a monarquia que eles pediam traria a autoridade absolutista para o rei de Israel, que poderia ter direito sobre os filhos e os bens das famílias. Deus avisou que o rei absolutista iria impor impostos para sustentar sua nova estrutura política, que envolveria um exercito formal e uma família real. Neste caso a família e nova estrutura política precisaria de um local para a sede administrativa, que seria um palácio e outros locais de governo. Deus tinha oferecido um sistema político diferente, que em o monarca ou rei era Ele mesmo, por isto podemos chamar a monarquia inicial de Israel de Teocrática. Ele era o representante do Poder Estatal, e tinha um poder de representar o povo, e representar o estado de Israel. Sua monarquia também tinha hereditariedade, como as monarquias parlamentaristas que muitos séculos depois foram implantadas na Europa. Jesus representaria sua hereditariedade, e Ele mesmo Jesus retomou o trono de Israel, por direito de herança tanto humana, sendo da família do rei Davi, como por direito inicial sendo Deus o primeiro Rei de Israel. Ele, Jesus, se casando com a Igreja, dá o direito a Igreja de ser parte da família real de Israel. Um Israel que retornará ao seu primeiro estado de Israel, com Deus como seu Rei, mas agora com Jesus como um Rei que tem Corpo Humano, mas um corpo glorificado. Um Rei que é Deus e Homem, descendente de Davi, e filho do Deus Altíssimo.

O sistema político de Israel em seu primeiro estado, com a chegada do legislador Moisés, foi inovador, pois o estado de Israel que foi idealizado e modelado por Moisés e foi implantado por Josué. Criou um Conselho Supremo com os Príncipes das doze tribos. O Conselho Supremo era liderado por um Juiz, que na verdade era um tipo de Primeiro Ministro. O sistema era de fato parlamentarista, mas, além disto, tinha já o principio da democracia, pois os lideres que participavam deste Conselho, ou Parlamento eram indicados em cada tribo por seu povo. Um tipo de democracia havia já em Israel, pois o Conselho decidia seguindo a Lei de Moisés que era dividida em duas partes. A Lei de Moisés também era um grande avanço, não conhecido nos povos, pois a Lei tinha sua Constituição no Decálogo, os dez mandamentos, e tinha as leis provenientes do decálogo, que era os cinco livros de Moisés, chamado de Lei ou em Hebraico: “Torá”; que nós chamamos de Pentateuco. Os juízes eram escolhidos pelo Rei de Israel, que era Deus, e eles tinha poder de liderança sobre o exercito, que não era mobilizado, mas poderia ser convocado quando o juiz e o Conselho considerassem necessários. Os membros do Conselho eram os governadores de suas tribos, que tinham regiões demarcadas no país de Israel. Estes membros que eram os Conselheiros, ou Ministros, eram os príncipes de Israel. Além do sistema monárquico parlamentarista, pois Deus concebia aos seus ministros o Conselho de Israel, a condição de governar a parte executiva e judicial do reino, e isto de forma democrática, os “estados” ou províncias de Israel tinham um sistema federativo, que dava a cada tribo ou estado o direito de decidir de forma independente sobre os problemas de sua própria província. O sistema federativo já era uma realidade neste estado de Israel. Contudo todos eram submetidos a lei, até mesmo o grande Rei Eterno, Deus, tinha se submetido a sua própria lei, que era o seu próprio modo de pensar e agir. Deus é submetido a si mesmo, mas é soberano. Deus se governa, e é governado por si mesmo. Portanto é soberano, mas não muda.

Para os teólogos colocamos esta sugestão de visão sócio política bíblica.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

TEOLOGIA DA SUBSTITUIÇÃO NUMA VISÃO HISTÓRICA


Como teólogo e mestre em teologia sistemática, eu gostaria de contribuir com a intensa reformulação de uma teologia que dominou a maior parte da história da Igreja Cristã. Estou falando da teologia da substituição. Falarei mais neste texto numa visão histórica critica, sem ser muito aprofundado na biblicidade do tema. Apesar disto citarei alguns pontos bíblicos. Esta teologia que foi fundamentada no pensamento agostiniano e posteriormente reformador, forjado na inabilidade de evangelizar os judeus. Quando digo inabilidade é porque sendo também um professor na área de história, percebi e constatei que as estruturas que a Igreja formou, foram se contextualizando as culturas não judaicas, e foram rejeitando a cultura judaica, até a demonizando. Apesar de boa parte da liturgia e tradição cristã ter suas bases na cultura e expressão litúrgica judaica, as estruturas cristãs criaram formas de rejeitar a origem judaica. Como os judeus não queriam se converter para as formas de cultura não judaica, pois queriam manter sua expressão judaica, como acontece com praticamente todos os povos, a missiologia que dominou boa parte da história da igreja cristã, obrigava aos povos “convertidos” a aculturação a uma cultura européia. Graças ao Senhor, hoje a Igreja aprendeu a respeitar culturas e não obrigar totalmente a aceitação da cultura européia, e agora americana. Infelizmente ainda temos “terno e gravata” em terras tropicais, mas isto é tolerável, apesar de ser extremamente cansativo.

A teologia da substituição foi forjada dentro de dois contextos: A Rejeição dos judeus a instituição ou instituições cristãs e ao principio de dominação com a imposição cultural. Não consigo ver a teologia se baseando na Bíblia, como deveria ser. Não vejo a motivação histórica provinda de um intenso desejo de descobrir a verdade, mas provinda do desejo intenso de impor uma dominação católica e européia. Pois biblicamente é muito forçoso dizer que Israel foi rejeitado, e que Deus escolheu outro povo para ficar no lugar de Israel. Sabemos que Deus nunca muda, e que Ele não deixa de cumprir sua palavra. A promessa feita por Deus a Abraão foi clara, foi feita para filhos carnais, mas também foi feita a filhos espirituais. Vemos a promessa dupla, e o cumprimento duplo na história. Deus nunca deixou de abençoar, os filhos de Abraão, pois os judeus sempre foram cabeça em todos os tempos. Isto é histórico, apesar de alguns historiadores quererem esconder a história de Israel. Paulo claramente diz que todos os povos que crêem em Jesus, o messias, são enxertados em Israel. Ser enxertado não é substituição, é inclusão. A doutrina da substituição não é bíblica, é fundamentada em lógica, ou seja, se os “judeus não convertem então a culpa é que eles foram rejeitados por Deus”. Não seria mais a inabilidade da Igreja de ter uma metodologia missiológica especifica para judeus? Mas quem disse que Deus rejeitou Israel, não foi Paulo quem disse isto? O problema é que os Judeus rejeitavam as estruturas eclesiásticas formadas pelas igrejas influenciadas por culturas não judaicas. Os Judeus não rejeitavam a mensagem do Evangelho, milhares, talvez milhões de Judeus ou de seus descendentes se converteram a Jesus, em toda história, somente Deus sabe deste numero. O que os judeus rejeitavam era a estrutura cheia de ritos, normas e cultura que eles consideravam abomináveis ou não aceitáveis no contexto e pensamento judaico. Hoje a Igreja tem buscado até a cultura judaica, o que questiono em parte, pois não precisamos de nos judaizar para ficar mais perto de Deus, Deus não é judeu, apesar de ter se expressado na terra como um judeu. Podemos em cada cultura manifestar nossas diferenças criando uma multiforme expressão de amor por Deus.

Não quis ser muito teológico com textos, mas quis chamar a atenção que esta teologia pouco se baseou na Bíblia, foi mais baseada em ódio e rejeição. Quando Lutero não conseguiu convencer os Judeus, e no começo de sua reforma, ele era animadíssimo em converter judeus, ele iniciou sua teologia substitutiva. Porque antes ele não cria na substituição? Porque somente foi crer, quando não conseguia converter judeus? Qual foi o ponto de partida para criar a substituição? Não foi o fracasso na evangelização de Judeus? É certo que respeito Lutero, mas ele não é Deus, nem é totalmente perfeito, foi como nós, homem e imperfeito. Lutero, irmão querido, e grande ministro da palavra de Deus, mas influenciado pela doutrina agostiniana que reinava na estrutura cristã, que ele saiu. Porque Agostinho formou sua doutrina substitutiva, veja a história e como a igreja ficou furiosa com os judeus que não aceitavam a doutrina católica. Naquela época era obrigatório aceitar, quem não aceitava era herege, era digno até de morte. Quantos judeus foram assassinados e torturados, porque não queriam aceitar a “doutrina católica”. Mas eles não estavam errados totalmente, muito da doutrina católica, hoje sabemos que era doutrina de homens, era cultura grego romana, era sincretismo religioso, era heresia catolicista. E o que formou nos judeus esta agressividade contra judeus, nos países que dominavam os chamados “Cristâos”. O que poderíamos esperar como reação de judeus, se os chamados “cristãos”, não permitiam que eles expressassem sua cultura e sua fé? É óbvio que os judeus passaram muito de sua rejeição para Jesus, como se Jesus fosse o culpado do erro dos chamados “cristãos”. Louvo ao Senhor, que Ele é superior aos erros da Igreja, e Ele se revela acima de nossa imperfeição. Ele tem feito isto aos outros filhos de Abraão, que enganados pelo ensino islâmico, não aceitam a Jesus como o Deus encarnado, mas somente como um profeta. Mesmo que a Igreja não fale, as pedras falam. Mas Deus quer falar por meio da Igreja. E a Igreja não é de Judeus ou de “Gentios”, a Igreja é de Cristãos, como fomos chamados nos dias de Antioquia. Somos todos “pequenos cristos”, todos nós que aceitamos a Jesus como Senhor e Salvador, por meio do novo nascimento. Somos todos o Israel de Deus, o povo de Deus, a Igreja de Cristo.

Hoje espero que meus irmãos judeus, e posso dizer isto sendo um descendente anusim, possam aceitar o evangelho de Jesus Cristo, não que formem uma nova igreja ebionista e fundamentalista judaica. Creio que podemos ser Judeus e “Gentios” (usando o termo bíblico) com manifestações culturais diferentes, mas com a mesma fé no Salvador Jesus Cristo, o Messias. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O Efeito Elefante


Terminando esta série de reflexões sobre condicionamento psicológico, vamos falar sobre o efeito Elefante. Chamarei Efeito Elefante o poder de controle e submissão ou domínio que os líderes de um grupo submetido ao condicionamento adquirem. Vamos usar o exemplo do elefante condicionado a uma prisão.  Sabe-se que se um elefante é preso quando pequeno por uma corrente forte, e durante seu crescimento mantê-lo preso na mesma forma de prisão, quando for adulto, com a força suficiente para arrebentar a corrente, ele estará condicionado a não tentar sair, pois estará preso pelo hábito da prisão. O efeito Elefante é uma realidade no condicionamento de um homem, que é submetido a algum tipo de prisão. O aprisionamento pode ser muito mais forte, quando é um aprisionamento da mente. Quando alguém não acredita que pode se libertar, ela permanecerá presa, e mesmo que tenha a força, a capacidade, ou a habilidade de sair da prisão que está submetida, ela não tentará arrebentar a sua corrente, pois o medo é seu maior carcereiro.
O efeito Elefante somente tem força, quando a pessoa é submetida a um período de aprisionamento. Este efeito é mais forte, em pessoas que crescem dentro de um tipo de aprisionamento, mas também é forjado, naqueles que durante um tempo se submetem a algum tipo de prisão. O mais importante para o efeito Elefante é a presença da corrente, que mantém a pessoa aprisionada dentro do espaço permitido. As pessoas aprisionadas têm um espaço limitado, e ir além do espaço que foi determinado pelo domador, pode ser inicialmente feito uma corrente suficientemente forte para impedir a fuga, ou o passeio. Mais tarde, a corrente não precisa mais ser tão forte, o que pode enganar aqueles que chegam para verificar a prisão. Não é mais necessário nem mesmo colocar correntes, pois o “elefante” está condicionado a acreditar que existem correntes, e na verdade as correntes estão em sua mente. Talvez alguns domadores possam utilizar inicialmente de chicotes, e depois somente o barulho do chicote é o suficiente para impedir o condicionado a tentar fugir ou tentar mudar a situação.
Muitos perguntam, como pessoas que estão aprisionadas a um sistema não fogem? E outros perguntam como pessoas permitiram ficar aprisionadas? O que as pessoas não percebem é que todos nós estamos de alguma forma presos por algum tipo de corrente. Existem correntes da cultura, correntes da religião, correntes do medo, correntes da tradição, correntes da política, correntes da economia, enfim há correntes em todos os lados. Contudo existe uma forma de ser livre das correntes deste mundo, e mesmo acorrentado podemos ser livres, quando conhecemos a verdade. Jesus um homem que jamais foi preso por nenhuma corrente, Ele disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Conhecendo a verdade o elefante seria livre de sua prisão, pois nenhuma das correntes poderia o segurar um animal com tamanha força. Nós também se conhecêssemos nossa força, ninguém nos prenderia em nenhum tipo de prisão. Seriamos totalmente livres, não por causa de nossa força, pois fisicamente é possível construir correntes que nos prendem, mas seriamos livres porque seriamos conhecedores da verdade, e a verdade não pode ser aprisionada, pode apenas ser escondida. Entretanto a verdade está viva, e quem busca ao Senhor que faz a verdade ser verdade, encontrará a força suficiente para sair de seu espaço de aprisionamento, através da força da verdade.
Ninguém pode aprisionar um homem que acredita na verdade, no entanto a verdade não é estabelecida pelo homem, que vive sob a tutela de correntes, ela é estabelecida por alguém que nunca foi aprisionado, ou seja, por Deus. Deus é a verdade, que nos liberta. Termino esta série de reflexões, dizendo que um dia descobri que estava preso, então percebi que poderia sair, contudo também descobri que sair de um espaço pode significar deixar para trás, tudo que este espaço tem, além de perder outros “elefantes” que estão ainda presos. Se estes “elefantes” fossem seus amigos e parentes, isto pode significar que prisões podem ser sua casa, mas nunca serão sua liberdade. Percebi também que o espaço não é nossa prisão, pois mesmo dentro de uma cela de grades podemos ser livres. A verdadeira prisão é acreditar que as correntes deste mundo podem nos prender, sendo que Deus nos fez muito mais fortes que qualquer corrente que este mundo produza, contudo somente quando encontramos a verdade, somos verdadeiramente livres. Eu fui preso, sendo livre, fui acorrentado tendo a força para quebrar as correntes, mas descobri que a maior corrente que nos prende é o medo, pois o medo traz tormenta, contudo o amor lança para fora o medo, e quem conhece o amor de Deus, é livre de todo medo. 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O Condicionamento é um Fenômeno Humano Social


Depois de apresentar o condicionamento psicológico de Grupos de Controle coletivo, que quando tem atuação religiosa são chamados normalmente de “seitas”, mas infelizmente o condicionamento de controle coletivo aparece em muitos grupos, que não são reconhecidos como seitas, como grupos perigosos, muitos são aceitos pela sociedade como até grupos de valor social. Observo que o fenômeno sociológico que chamo de Condicionamento de controle coletivo, que vou abreviar para uma sigla: CCC; aparece em todo grupo que tem lideres ou uma liderança forte e carismática. Se o líder não tem um pensamento de libertação, de respeito à livre expressão de pensamentos, a tendência é esta liderança impor sua forma de pensar, e até sua forma de viver. Existem casos até de imitação da forma de vestir, da forma de falar, da forma de agir, ou melhor, de transformar o líder num tipo de modelo.
Constato que o CCC não está somente nos grupos religiosos, é um fenômeno social, que atua em grupos sociais. Podemos encontrar em grupos políticos, acadêmicos, científicos, filosóficos, econômicos, enfim em qualquer grupo de pessoas que tem objetivos comuns ou crenças comuns. Se observarmos o nazismo, veremos Hitler usando dos mesmos princípios de controle psicológico. Lideres políticos tornam-se ditadores de moral e de cosmovisões. Poderíamos dizer que temos seitas políticas, econômicas, religiosas. O que seria uma seita? Eu diria que são grupos fechados, esotéricos (misteriosos ou com iniciações e rituais secretos) e com crenças perigosas que podem produzir morte, destruição e escravidão.
Num documentário sobre seitas, em que um cientista criou um índice de maldade, um membro de uma das seitas mais perigosas que temos noticias, ele próprio se tornou assassino em nome do grupo para cumprir sua crença, e esta preso em uma penitenciaria, este membro disse: “Quando não podemos pensar fora do esquema, isto é escravidão”.
A grande pergunta é: “Quem não pensa segundo o esquema ou o sistema?” Com certeza, nós conhecemos um que não pensava segundo o sistema do mundo, o seu nome é Jesus Cristo. Quem revoluciona não pensa segundo o sistema, é inovador, é autentico. Os inovadores podem ser confundidos com “revoltados”, com “rebeldes”, com “diferentes”, com “heróis”, com “especiais”. Muitos dos inovadores são amados, outros odiados, mas a maioria deles é perseguida. Ou são perseguidos, ou se tornam os perseguidores. Alguns inovadores tornam-se os formadores de novos sistemas.
Falando sobre seitas cada dia que as estudo, ou estudo a formação de grupos que usam o CCC se tornam desprezíveis ou rejeitados, quando ultrapassam o tolerável que a maioria aceita. Este tolerável na igreja pode ser o isolamento, ou o escândalo, ou ainda praticar crimes contra a lei do país que mora. Alguns se tornam seitas, não porque são hereges, mas sim porque são intolerantes e orgulhosos, considerando-se os “mais fiéis”, os “escolhidos”, “os únicos detentores da verdade”.
Como no céu não haverá opiniões, pois a verdade será a própria vida da existência eterna, espero que todos que realmente “creram e nasceram de novo” estejam unidos vivendo com Deus. Espero que não haja juízo que impeça a salvação. Espero que seja a verdade, que Deus mantém sua adoção apesar de nossa incredulidade, ou que Deus nos salva no meio de nossa imensa divergência de idéias e opiniões. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

PROCESSO POSITIVO ou PROCESSO DE RESULTADOS POSITIVOS



No texto anterior refletimos um pouco sobre o que é positivo? Mencionamos que um pouco sobre três aspectos de um processo positivo: Objetivo, meios e o resultado ou o fim. Citamos sobre a filosofia que mais tem sido praticada no mundo hoje, que os “fins justificam os meios”, e esta é uma filosofia sintetizada por Maquiavel, principalmente considerando a estratégia de guerra. Quando falamos no último texto sobre o condicionamento psicológico coletivo e mencionamos sobre objetivos positivos e negativos, citamos que os positivos procuram um resultado positivo. Propomos então em repensar o que é positivo e negativo, pois a forma como a sociedade pensa é sobre os resultados e não todo processo. Neste caso é apenas uma forma de demonstrar resultados, mas não de formar resultados. Devo então reforçar que objetivos positivos e resultados positivos, nem sempre serão um processo positivo. Pessoas pensam em objetivos positivos e em resultados positivos, não pensam nos meios positivos. Para o pensamento cristão todo processo tem que ser positivo, e na verdade, os meios são parte do resultado, pois os meios são a formação do positivo. É muito simples quando pensamos como Jesus pensava, Ele liga o resultado ao propósito daquele processo, e a forma como o resultado é gerado. Até agora estou sendo muito filosófico, e acadêmico, contudo quero ajudar alguns que pensam que o raciocínio é alto demais, mas gostaria agora de falar como Jesus falaria, ou seja, Jesus fala da forma como Ele demonstra sua sabedoria, de forma simples e natural. Veja a natureza e veremos como é o processo positivo de Deus. Jesus disse: “Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis”. (Mateus 7:16-20)
Jesus então ensina continuando o texto que mesmo que aparentemente os “frutos” possam aparecer como “frutos bons”, a origem ou o objetivo tem que ser “bom” e o processo têm que ser “bom”. Este “bom” é o positivo que estamos falando. Jesus diz: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”. (Mateus 7:21-23)
Então muitos demonstrarão “frutos” positivos, mas seus “meios” ou sua “origem” são negativos, isto é o que Jesus disse acima. Ele nos chama para repensar o que estamos sendo, e não o que estamos fazendo. Muitos acham que pode-se fazer tudo, para alcançar seus objetivos. Para alguns é o objetivo de ser feliz, e outros é “ganhar almas”, mas será que não estamos pensando como Maquiavel, que os “fins justificam os meios”, quando apenas apresentamos os relatórios finais, e os resultados como prova de nossa fé, de nosso ministério, de nossa metodologia, de nossos eventos, de nossa estrutura organizacional, de nossa forma de quebrar paradigmas? Queremos o “fruto do Espírito” ou queremos os “frutos da aparência religiosa”?