domingo, 11 de novembro de 2012

A Teologia da Prosperidade e a Globalização



A Teologia da Prosperidade tem sido um novo dogma que tem adquirido adeptos em todas as denominações evangélicas. Até mesmo a Igreja Católica que em seu dogma tem o principio da avareza, como o acumulo de riquezas que são além do necessário, tem também simpatizantes deste novo dogma. Esta teologia tem maior aceitação entre os protestantes ou evangélicos, principalmente pelo histórico que formou o capitalismo e o pensamento da prosperidade. A Igreja Católica foi a primeira a reagir a aquilo que é chamado de “capitalismo selvagem”, e criou o dogma da Teologia da Libertação. Esta teologia reagiu ao pensamento capitalista e foi muito confundido com o pensamento socialista ou maxista. Em alguns casos de fato os socialistas aderiram a teologia da Libertação como um apoio aos seus ideais de distribuição de renda. Não vamos discutir qual o pensamento político mais adequado a fé cristã, nem mesmo analisar qual aquele que mais apoiou a fé cristã. Contudo observamos que a defesa do “pobre” sempre foi um aspecto da fé Cristã, antes observada na lei mosaica. O “pobre” era sempre defendido e era incentivado o cuidado e a formação de leis de cobertura. A teologia da Libertação apesar de em alguns casos tender a extremismos por parte dos adeptos, chamou atenção numa teologia latina americana ao problema da diferença das classes e da distribuição de renda. Este tem sido um das maiores preocupações do discurso pós moderno, apesar de na prática não ser a forma de viver pós moderna, que á altamente competitiva, individualista, e exclusivista. O Cristianismo sempre deve ser inclusivista e bondoso, criando possibilidades de auxiliar todos os homens. A teologia latina americana tem reagido à discussão da teologia da libertação com a criação de uma teologia holística que tem sido chamada de Missão Integral. A Missão Integral é uma resposta evangélica ao fato que as sociedades latinas americanas, não têm a mesma prosperidade da região norte do mundo, incluindo aqui o bloco europeu e os norte americanos. Até mesmo a pobreza no bloco do norte é diferente dos latinos americanos e os da região chamada subdesenvolvida: América do Sul, África e Ásia. E a distribuição de renda dentro de um sistema capitalista é promovida pela riqueza individual. Nosso ponto de vista não está baseado em pensamentos provenientes de linhas não cristãs, ou mesmo não teológico. Cremos que Jesus é a resposta para qualquer sociedade, e a compreensão exata de seus ensinamentos que são fundamentados no amor, é a melhor solução e de fato são a única e verdadeira solução para a sociedade humana. O que devemos então pensar é se a teologia da prosperidade tem de fato transmitida ao mundo o ensinamento de Cristo de amar ao próximo como a si mesmo e amar a Deus sobre todas as coisas. Creio que toda teologia construída em temas filosóficos precisam reavaliar sempre a base em que foram construídas. Nossa teologia é construída no amor de Deus? O amor de Deus é a base para toda compreensão de sua justiça, pois Deus é amor. O fato é que todos nossos dogmas deveriam ser interrogados com a frase: Este dogma feriu o principio do amor de Deus? Ou este dogma nos afasta do amor de Deus?
A globalização promove o pensamento que está em consonância com a Teologia da Prosperidade. A Teologia da Prosperidade apóia e fortalece o principio do capitalismo mundial, por isto é uma teologia muito bem aceita pelos empresários, e os políticos. Ela é admirada pelos pobres, e almejada por todos. Ela se confunde um pouco com os desejos naturais de crescimento e subsistência. A Teologia da Prosperidade segue a “onda” da planificação da sociedade, com a busca de uma sociedade próspera. Contudo uma pergunta forte ecoa: “O que serão feitos com os pobres da terra?” Eles serão esquecidos? Serão classificados como “homens de pouca fé”? Será que temos o direito cristão de empurrar para a “periferia da igreja” os pobres, utilizando de um dogma que nos permita esta atitude e até nos justifique a atitude preconceituosa ou segregista? Minha pergunta pode parecer indutiva, e talvez seja, mas agora quero a utilizar como forma de discussão e de busca de alguma base bíblica para uma distribuição de rende tão irregular, e determinatória. Alguns não crescem, porque não é permitido, outros porque são discordantes, outros porque são inferiorizados, outros porque são dizimados. Será que a tese da capacidade individual é reinante neste mundo que a Bíblia diz: “jaz no maligno”. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

As doutrina Neo Pentecostais


As doutrinas Neo Pentecostais são oriundas do movimento pentecostal, mas dentro das igrejas neo pentecostais, encontramos uma ênfase e em alguns casos distorções. Não farei uma análise das distorções ou das diferenças. Estaremos apenas fazendo uma análise teológica dogmática. Precisamos distinguir os dos movimentos históricos da Igreja: O Movimento Pentecostal e o Movimento Neo Pentecostal.
O Movimento Pentecostal foi o histórico avivamento da “Rua Azuza”, no início do século 20, quando houve uma ênfase na experiência com o Espírito Santo, seguindo uma seqüência ou uma nova manifestação histórica, como foi na época do início da Igreja, no evento revelado e descrito no livro de Atos, capítulo 2 (dois). A partir do evento acontecido nos E.U.A. uma “onda” de igrejas se formou seguindo os conceitos pentecostais da “descida do Espírito Santo”. As Igrejas nascentes que foram chamadas de Pentecostais, ou com nomes que ligavam o pentecostalismo, defendiam que a experiência pentecostal estava disponível e era, e ainda é, e sempre foi, ou foi renovada, para toda Igreja. As duas principais ênfases doutrinárias foram “uma segunda experiência com o Espírito Santo” e os “dons ou manifestações do Espírito Santo”. Estes dons enfatizaram a cura divina, milagres, manifestações físicas da presença do Espírito Santo, incluindo aqui as profecias e as línguas estranhas ou glossária. Mais atualmente o movimento pentecostal ainda gerou duas visões distintas: o movimento celular e o movimento da batalha espiritual. Estas visões talvez pudessem ser novos movimentos, provindos do Pentecostalismo, mas não temos trabalhos mais aprofundados nesta divisão, por isto não vamos abordar, como uma nova divisão. Talvez alguns poderiam classificar como neo pentecostais ou com um nome particular para eles. Eu diria que são os do Movimento do Discipulado e os do Movimento da Batalha Espiritual. Mas não é nosso objetivo abordar estas vertentes do pentecostalismo. É fato que o “Discipulado” seja ele: Celular, Individualista ou ainda Hierárquica, nasceu após o Pentecostalismo, e no meio dos oriundos da vertente pentecostal. Também é fato que os da “Batalha Espiritual”, são oriundos do pentecostalismo. O “Discipulado” nasceu mais no meio do século, e os da “Batalha Espiritual”, mais no final do século 20, talvez junto com o Neo Pentecostalismo.
O movimento neo pentecostal foram igrejas originadas das igrejas pentecostais, mas com uma nova visão. Esta visão veio do movimento da fé. Este movimento da fé tem como seu originador o rev. Kenneth Haggin, renomado pregador, e fundador da Escola Rhema em Tulsa, EUA. A visão de Kenneth Haggin originou-se do ou no fundamentalismo norte americano. O fundamentalismo norte americano teve como seus principais propagadores os televangelistas americanos, que utilizaram da Televisão, a nova forma de comunicar da humanidade, para propagar a fé, e mesmo não de forma negativa, também propagou a cultura e o ideal norte americano. O pensamento era que a América era como o Salvador do mundo, e a civilização cristã ideal. Assim como os Europeus pensaram na Idade Média, a América do Norte começou a criar uma teologia que foi chamada de fundamentalista, e nela as sementes do Neo Pentecostalismo foram difundidas. O Rev. Kenneth Haggin foi um exímio escritor, e seu carisma contagiou pregadores no mundo todo.
A mensagem do Fundamentalismo Norte Americano tem como Princípios:
1. A riqueza e poder americano vêm da fé evangélica, e esta riqueza é o ápice numa civilização genuinamente Cristã;
2. A prosperidade é o fim de uma vida com Deus, e esta prosperidade deve ser usada para encabeçar o mundo; (neste aspecto é criada a idéia de superioridade racial ou cultural, formando o pensamento de que outros povos são inferiores culturalmente, intelectualmente, e socialmente)
3. Deus quer homens fortes e prósperos; (estes fortes demonstram poderio e comando, além de domínio e controle)
Kenneth Haggin exaltou em sua teologia a fé, e deixou o amor parte, mas ênfase da vida cristã. Ele formou aquilo que poderemos chamar de a teologia da prosperidade e do triunfalismo forjando um novo tipo de igreja ou de crentes, os crentes vitoriosos, os crentes com uma confissão positiva. Este movimento proveio dos pentecostais que crêem na segunda experiência e nos dons, mas o foco agora é a prosperidade. Os focos do Pentecostalismo são tratados como rotineiros e em alguns casos de igrejas que consideram até como desnecessários os fundamentos do pentecostalismo.
Este movimento fez nascer nos EUA, igrejas com ênfase na prosperidade financeira. Algumas inclusive já estão promovendo um novo fenômeno ou movimento com mega-igrejas ou igrejas shopping. A visão mais específica da Igreja com Propósitos tem sido uma nova forma de ação eclesiástica, numa visão pós moderna. Mas creio que estas igrejas nascentes do fundamentalismo norte americano, buscam uma forma de se acomodar ou de moldar dentro da visão globalista e pós moderna.
No Brasil fez nascer a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, que veio de uma igreja Pentecostal, chamada Igreja de Vida Nova, do Bispo Roberto MacLister. Depois novas igrejas neo pentecostais se formaram no Brasil: A Igreja Internacional da Graça de Deus – Missionário R.R. Soares e a Igreja do Poder Mundial – Apóstolo Valdomiro Santiago. Cada um auferiu a si mesmo um título diferente, que demonstra a busca de uma forma nova de apresentar o evangelho. As doutrinas deliminatórios e de ênfase neo pentecostais apresentarei abaixo:
  1. O Determinismo
  2. Confissão Positiva
  3. Triunfalismo
  4. Teologia da Prosperidade
Vamos fazer uma análise panorâmica destas doutrinas:
A doutrina do Determinismo: A frase “Eu determino...” e “Eu profetizo...” são gírias ou nomenclaturas definitórias de uma tese teológica que tem muitos textos bíblicos como embasamento. A linha de pensamento do determinismo crê que Deus deu ao homem, que é cristão, a capacidade de exigir o cumprimento da vontade e da palavra de Deus. Neste caso tudo que Deus prometeu é requerido e imposto para cumprir o propósito de Deus. Os deterministas crêem que tem a revelação clara da Bíblia, no que concerne a suas promessas. O ponto de vista um pouco indefinido são as maldições como resultado do pecado, as maldições são mais tratadas como um mal que precisa ser destruído, na verdade no ponto de vista determinista, o mal tem que ser destruído, pois esta é a vontade de Deus, e o homem que utiliza da fé, tem que expulsar o mal. Neste caso o cristão pode determinar até para Deus, e para os Anjos, e Deus ficaria feliz com esta atitude de fé. Para o ponto de vista determinista Deus também com a fé determinista, e esta é a fé que o cristão deve agir. Assim fazendo ele está agindo com Deus.
O cristão pode também profetizar em nome de Deus, se ele tiver a fé na palavra de Deus. Para os deterministas a Bíblia já tem a profecia, então profetizar a Bíblia ou algo que tenha relevância ou proveniência da Bíblia é um direito de todo cristão. A idéia determinista também cria a idéia do “direito”, ou seja, todo cristão tem direito de tudo que está na Bíblia. O ponto de partida para receber é a fé, diferindo um pouco do pensamento reformista que crê que o ponto de partida é o arrependimento e a santidade. O cristão tem o poder de determinar que aconteça algum fato normalmente utiizando o termo: “eu profetizo...” ou “eu determino...” para que no mundo espiritual seja fixado um decreto provindo de Deus, através de um servo que utiliza da fé. Este profetizar seria uma atitude que os profetas teriam tido no V.T., então os textos da ação de profetizar são muito utilizados para fundamentar a tese. Encontramos aqui inclusive outra doutrina que está no meio neo pentecostal, mas que é mais de origem do Movimento de Batalha Espiritual, são os “atos proféticos”. Esta tese é o pensamento que devemos e/ou podemos fazer atos físicos que determinam ações espirituais. Neste pensamento as bases bíblicas são vários atos físicos na Bíblia que produziram ações espirituais.
No determinismo neo pentecostal: tudo tem que se submeter a fé, e observa-se que isto é independente da vida espiritual da pessoa. Observamos a exaltação do fim, e não do meio. Pessoas que apresentam resultados positivos e vitoriosos, normalmente são consideradas como pessoas de fé, mas se sua vida não tem um caráter cristão, normalmente isto não é enfatizado. O Fim torna-se então o objetivo, e o meio é parte do processo, que somente vai ser observado no final. A fé neste caso seria um elemento santificador. À medida que a fé do cristão aumenta a sua santidade é maior. (por isto os neo pentecostais valorizam tanto os exorcistas e praticantes dos dons de curar).
Outro aspecto do determinismo é o positivismo cristão, mas este deve ser considerado outra tese defendida pelos neo pentecostais.
A doutrina do Positivismo Cristão:
Esta tese tem uma das origens mais forte no movimento celular do rev. Paul Yong Shu, atualmente com o nome de David na Coréia do Sul. Um movimento considerado um avivamento, e com um impacto impressionante não somente no seu país, mas em todo mundo. A visão do Rev. Paul foi muito atrativo para os pregadores norte americanos, inclusive o Rev. Haggin. A tese da Palavra de Poder, fortaleceu ou até formou a idéia norte americana da Palavra Positiva. A idéia do Positivismo já era antigo nos EUA, mas esta filosofia influencia a cultura norte americana, e conseqüentemente fez os teólogos considerarem a verdade dentro do pensamento positivista. A consideração da verdade sobre o positivismo não é o tema deste texto, apenas queremos relatar o fato.
Com a influencia nos EUA da tese da Palavra de Poder, um dos livros de Rev. Paul, o Quarta Dimensão, trouxe um impacto na teoria daquilo que foi nomeado como “o gerar uma palavra”. O GERAR trouxe algumas ramificações com inclusive a utilização do termo como uma forma espiritual de força espiritual. Este GERAR está baseado em Genesis, quando o Espírito Santo estava “pairando” sobre a terra sem forma e vazia. Neste caso o Espírito Santo estava “gerando” a PALAVRA da criação, e da mesma forma podemos “gerar” a Palavra de Deus. Este pensamento trouxe uma vertente, forte no neo pentecostalismo com a idéia da palavra positiva (toda palavra tem poder). Neste caso a tese do GERAR uma PALAVRA, demonstra também o PODER DA PALAVRA. Toda palavra tem poder, e nunca devemos utilizar qualquer palavra negativa, pois podemos “gerar o mal”. O termo “gerar”, também trouxe a idéia de “estar grávido da Palavra”. Com estas idéias em mente, chegamos a conclusão que se toda palavra tem poder, devemos sempre falar positivamente. Kenneth Haggin, contudo, foi mais longe e considerando sua teologia da fé, ele reafirmou a importância de ter palavras de fé. Uma palavra somente tem poder, quando falada em fé, o que difere de alguns que crêem que de qualquer forma a palavra terá poder, como se a palavra tivesse neste conceito um poder intrínseco, ou mágico. Dizer Palavras Positivas de Fé, seria então uma Confissão Positiva. A confissão positiva com palavras de fé é outra doutrina forte no neo pentecostalismo. Neste caso todos devem tomar cuidado com o que falam, pois “a poder em suas palavras”. Eles procuram sempre falar somente palavras positivas. Isto pode inclusive modificar ou diminuir os termos: “pecado”, “culpa” e “derrota”, da forma reformista e mais histórica que a Igreja compreende. O Pecado e suas conseqüências devem então ser diminuídos, ou até esquecidos, sempre fortalecendo a Fé. Não queremos com isto concordar ou discordar, apenas relatar a forma como se manifesta a tese positivista cristã, ou até, como tem sido manifestada.
Triunfalismo: A terceira tese doutrinaria forte é o triunfalismo. O triunfalismo é a dominação da igreja – “somos cabeça e não cauda”. A idéia do triunfo sobre o diabo, sobre o pecado, sobre as conseqüências do pecado. Neste pensamento chegamos a dominação sobre os demônios e sobre a economia\sociedade. Considerando o mal como a atuação demoníaca constante no homem, isto pode trazer para a mente de alguns neo pentecostais, e isto não consegui constatar, que o mal não está no homem, mas no diabo e seu reino infernal. Talvez isto crie uma doutrina de inocência do homem, e possa até levar ao pensamento de que todos são filhos de Deus. Ainda não sei, mas pode chegar a este pensamento, e talvez seja para os menos doutrinados do movimento. Contudo é uma realidade que o diabo e os demônios, recebem a maior parte da culpa do pecado, da culpa, e das conseqüências do pecado. Neste caso a doença, a pobreza, e o insucesso tem sido um combate para o triunfo do cristão. No insucesso incluímos a parte da prosperidade financeira e de bens materiais. O mal pode ser expurgado por meio da fé destruindo a força das trevas na economia e na política. Controlando a política, a economia pode ser influenciada, por isto os neo pentecostais tem se demonstrado muito atuantes e muito desejosos de participar do governo e da ação social. O triunfalismo exalta o poder sobre as trevas, e cria uma série de formas exorcistas para destruir as forças do diabo. Como falamos também busca o domínio político, social e econômico. Lembramos um pouco das teses medievais do catolicismo que queria triunfar sobre os reinos da Europa, como forma de estabelecer o “governo de Deus” sobre o mundo. Nesse pensamento a Igreja tem que estar dominando o governo, ou pelo menos controlando as ações governamentais. O triunfalismo busca o triunfo sobre as trevas, e se o mundo jaz no maligno, então temos que triunfar no mundo, conquistando-o. Este inclusive é outro termo muito usado no triunfalismo: “conquistando a terra”. Também é um termo muito usado no movimento de batalha espiritual, mas talvez o neo pentecostalismo buscou muito do movimento de batalha espiritual, ou talvez seja o contrário, isto não consegui ainda chegar a uma conclusão. Podemos constatar, entretanto, que o fundamentalismo norte americano influenciou os dois movimentos e foi base para eles. Inclusive a luta americana contra o “mal” que vinha para conquistar o mundo, no período da guerra fria, foi um dos fatores de formação da idéia da guerra do bem contra o mal. O “mal” podia ser o comunismo, o rock in roll, o movimento hipp, ou agora o terrorismo. O fato é que o pensamento do “herói e o bandido” é muito presente na cultura norte americana. E precisamos compreender que quanto mais forte o bandido, maior o herói. Contudo quero reforçar a tese bíblica do “Todo Poderoso” Deus. Ele não precisa de um grande inimigo para ser um grande herói, ou um grande Deus. Ele é independente do inimigo, do outro poder. Na verdade, ninguém tem nenhum poder, se de Deus não for dado, e o diabo que apenas uma criatura, não consegue enfrentar Deus. Ninguém enfrenta Deus. Mas o triunfalismo cria uma vertente, que em primeira instancia não nega o poder de Deus, mas que afirma que o homem tem como obrigação o estabelecer o governo de Deus na terra. Neste caso, Deus decidiu dar ao homem esta incumbência. E somente por meio da fé o cristão, poderá triunfar sobre o mal ou sobre os poderes das trevas, pois a igreja deve governar, deve ser “cabeça e não cauda”.
Teologia da Prosperidade: A quarta grande doutrina é a chamada por muitos: teologia da prosperidade. Esta doutrina une o determinismo, a palavra positiva, e o triunfalismo para por meio da fé, estabelecer um alvo para a vida cristã: a prosperidade. Neste pensamento a prosperidade é o alvo final do cristão aqui na terra, e é a confirmação do triunfo sobre as trevas. Seja com o triunfo sobre a doença, ou seja, com triunfo sobre a pobreza, ou a falta de algo, material ou imaterial. Incluindo a restauração da família, de uma empresa em processo de falência, de um relacionamento com alguém, e principalmente do relacionamento com Deus. Cria-se o pensamento que todo cristão somente é vitorioso se demonstrar a prosperidade física, ou visível. A prosperidade física é demonstrada pela riqueza material e pela saúde do corpo. Este tem sido o principal alvo dos testemunhos que tem sido um dos principais aspectos litúrgicos dos cultos neo pentecostais. Os testemunhos tem sido a forma principal de transmissão da verdade da prosperidade. Os testemunhos em alguns casos tornam-se mais valiosos que a própria exposição da Bíblia. Observamos que muitas vezes os lideres buscam nos testemunhos a solidificação do ensinamento, e a escolha dos testemunhos demonstra que a mensagem que é transmitida é a prosperidade como fim e como demonstração da autoridade da igreja e da liderança desta igreja. Vemos então rituais para a busca da prosperidade material, e muitos destes rituais nos remetem ao simbolismo e ritualismo medieval praticado pelo catolicismo. Coisas como “água benta”, “viagens santificatórias” seja para a “terra santa”, ou para “o local santo”, que pode ser um templo, um monte, etc. Outros símbolos e rituais como algum tipo de penitencia, de objeto santo santificado e com poderes de santificação ou de salvação. Até mesmo o conceito modificado das indulgencias pode ser observado, com a utilização do dinheiro para demonstrar ou para comprar uma forma de prosperidade, de salvação ou de santificação. A ênfase na parte financeira tem como base o pensamento de que Deus é detentor de toda riqueza, e todo filho de Deus deve também usufruir desta riqueza. Neste conceito então a fé seria a porta de entrada para toda riqueza de Deus.
Outro fator muito importante nesta prosperidade é a prosperidade do corpo, ou a saúde divina. Neste ponto, o cristão que exerce a fé, tem a vitória sobre a doença, sobre a operação da morte no corpo, que também é a corrupção física. A fé então produz a cura divina. A busca da cura é um dos pontos importantes da teologia da prosperidade, em conjunto com a libertação do poder do diabo sobre tudo que está na vida do homem, produzindo também a libertação completa de demônios. Os exorcismos então importantes para demonstrar a força sobre o diabo e seu reino.
Uma característica forte do neo pentecostalismo é parecer com os pentecostais na busca do Espírito Santo, mas não é o foco do movimento. Mas a algumas heranças como a forma de governo eclesiástico que é uma liderança hierárquica, muitas vezes muito ditatorial, no estilo ou modelo católico. O sistema episcopal é normalmente o mais utilizado, pouco se observando o sistema congregacional. A utilização de ritos e símbolos como forma de purificação e santificação lembra muito os pentecostais, contudo o neo pentecostal é muito enfático na utilização destes meios religiosos. A demonstração de poderio com templos, grandes eventos, exaltação da igreja, dos pastores, dos ritos, e utilização de termos triunfalistas e positivistas, são conseqüência da teologia defendida. A determinação de estratégias missiológicas e eclesiais tem normalmente metas econômicas e de impacto social, considerando quantidade de pessoas, pois sua dogmática leva a este fim. Por isto não é de estranhar a grande ênfase na arrecadação de fundos para os objetivos das igrejas de formação ou de origem neo pentecostal. Outro aspecto também é a imitação da forma de pregar dos lideres carismáticos, produzindo até entonações, palavras ou gírias institucionais, e até expressões faciais parecidas com os lideres. O Isolacionismo tem sido marcantes nestes movimentos, com pouca busca de unidade com o restante das igrejas cristãs. Contudo já existem algumas alas neo pentecostais que tem buscado uma aproximação da cristandade, o que inclusive repete o fenômeno cíclico da institucionalização de um movimento com aparecimento da tranqüilidade produzida pela perca da rejeição ao novo, que todo movimento novo traz. Afinal tudo que é novo produz medo, rejeição e desconfiança. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

EU TENHO O DIREITO DE SER FELIZ?


Será que o homem tem o direito de ser feliz? Ou o homem tem o direito de buscar a felicidade? Biblicamente falando o homem por causa do pecado no pecado não pode e não tem nenhum direito de ser feliz, na verdade tem o direito da tristeza eterna, pois o salário do pecado é a morte. Enquanto o homem não encontra Deus, o direito pela felicidade está impedido pelo pecado. Mas buscar a felicidade é um direito do livre arbítrio humano, sem entrar na discussão da predestinação. E a busca desta felicidade tem limites ou é sem limites? O homem encontrará a felicidade através de sua força ou através da força de Deus?

Vamos falar de alguns conceitos pós modernos, desta sociedade globalizada, o individualismo e o hedonismo. Existem duas frases que demonstram muito o novo conceito pós moderno do individualismo e o hedonismo como base da nova sociedade, apesar de ser apenas uma forma de manipulação, pois no final é o “sistema deste mundo” que estabelece os modelos a serem cultuados, servidos e imitados. Estas frases são: “ O que tem haver isto”  ou “eu não concordo”. É tão fácil para a maioria da geração atual expressar sua opinião, como um direito adquirido ou uma norma a ser seguida. Os conceitos bíblicos como: “o coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem dos lábios do Senhor”, ou “o sábio ouvirá e crescerá em conhecimento”, “ouvi, filhos, a instrução do pai, e estai atentos para conhecerdes a prudência”, “sobre tudo que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”, “os lábios do justo sabem o que agrada”, “o mexiriqueiro revela o segredo, mas na multidão de conselhos existe segurança”, “o que guarda a sua boca conserva a sua alma, mas o que abre muito os seus lábios se destrói”,  “ansiedade do coração deixa o homem abatido, mas uma boa palavra o alegra”, “o que se indigna à toa fará doidices, mas o tolo se encoleriza, e da-se por seguro”, acrecento aos conselhos de Provérbios as palavras em Eclesiastes: “tudo tem o seu tempo determinado...há tempo de ... estar calado, e tempo de falar... tempo de guerra e tempo de paz...” e as palavras de Tiago: “Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo corpo. De uma mesma boca procede benção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim...”.

O egoísmo é tão forte no conceito individualista e hedonista que a maioria que vive influenciada por este novo estilo de vida globalizado, não consegue ver como suas atitudes, palavras ou ações podem influenciar, ferir ou desviar as pessoas. Por isto é fácil dizer que “não tem nada haver eu fazer ou falar isto”. O “eu não concordo” é mais ostensivamente e um meio mais impiedoso de rebeldia contra autoridades, mas também é um o caminho para dizer “não vou fazer”, ou “o problema não é meu, eu faço somente minha parte”, ou talvez seja uma forma do mundo atual dizer: “eu somente farei aquilo me que faz feliz”. Mas a vontade do homem traz a felicidade, ou é a “boa, perfeita, e agradável” vontade de Deus que trará a felicidade plena e eterna? Perguntas, e respostas nas perguntas, o difícil é querer aceitar o que é óbvio, ou o que é a verdade incontestável e absoluta da Bíblia. O homem somente será feliz quando fizer toda a vontade de Deus, e terá parte da felicidade se fizer parte da vontade de Deus. A felicidade está ligada a Deus, nunca o materialismo e o humanismo egoísta poderão preencher o vazio da necessidade humana da comunhão com Deus, que envolve em fazer d’Ele o Senhor de sua vida. Esta necessidade humana de Deus, que poderia ser classificada antropologicamente como o desejo religioso pelo divino, é inerente, insubstituível, e principalmente irrevogável. O homem precisa ou necessita de Deus para ser feliz. E esta história de dizer que “serei feliz, custe o que custar”, é um modismo ridículo e não cristão.

O hedonismo é talvez ainda pior que o individualismo, mas procede dele, pois retira o sentido do amor ao próximo e a Deus e o focaliza somente em si mesmo. É a grande frase do inferno que invadiu o mundo e até mesmo a igreja: “Eu tenho direito de ser feliz” ou “Serei feliz custe o que custar”. Mesmo que isto custe sua salvação? Que custe ferir o próximo? Custe ferir a Deus? Custe “passar por cima dos outros e de tudo”? Custe viver fora da vontade de Deus? Custe ficar em seu conforto, enquanto o resto do mundo morre e vai “pro inferno”?

A felicidade do ser humano custou um alto preço, o maior que em todo universo alguém poderia imaginar ou prover. O preço foi pago por Deus, por meio de seu único filho, Jesus Cristo. A felicidade custa caro, mas o homem não tem como pagar, ele tem como receber por meio de Jesus. A “alegria que Jesus dá, o mundo não pode dar”, frase bonita e bem “crentês”, e talvez não tenha outra melhor, pois a felicidade que o homem procura não está na “força de seu braço” ou do seu esforço, mas somente do reconhecimento que nós precisamos d`Ele e n`Ele temos alegria. Esta idéia que invade até a igreja, querendo criar uma geração de crentes “fortes o suficiente para obrigar a Deus a fazê-los feliz”, pois eles “exigem de Deus” a felicidade, é tão hedônica e individualista como tudo que o mundo ensina. Deus não é obrigado a nada, Ele é suficiente em si mesmo, por isto é trino, pois Deus tem todas suas necessidades de comunhão e amor dentro de si mesmo. Deus é feliz em si mesmo, Ele se ama é é amado por si mesmo. Nós, não somos como Deus, precisamos d`Ele, e para ser completos precisamos d’Ele com os outros próximos, apesar d`Ele ser o suficiente caso os outros faltem, mas este não é o plano de Deus. Deus planejou para que vivêssemos como família, ou como uma sociedade de famílias.

Talvez o melhor seria dizer: “Eu quero ser feliz”, ao invés de dizer, “eu tenho o direito de ser feliz”. É mais respeitoso falar assim com Deus. O direito a felicidade é na verdade a busca da felicidade. O homem é pecador, e seu direito segundo a justiça divina é de ser infeliz, pois o pecado traz tristeza, dor, morte e destruição. Somente por meio da salvação o homem adquire o direito a felicidade, ou seja, por meio de Cristo, me torno digno de ser feliz. Não existe felicidade fora da vontade de Deus, ou fora de uma comunhão restabelecida com Deus. Jesus disse que a alegria que Ele dá, o mundo não pode dar. O texto de Filipenses diz: “Alegrai-vos no Senhor”. A origem da alegria, ou da felicidade é a comunhão com Deus, que é em si mesmo totalmente suficiente para si mesmo, sendo Ele feliz em sua comunhão triunitária. O amor é a origem da felicidade, sem amor, não existe felicidade. O amor que Deus tem em si mesmo, ou por si mesmo, considerando que Ele ama e é amado, na trindade Divina, o faz feliz plenamente, pois não pode ser dividido, destruído, ou modificado, é perfeito. O amor que podemos receber de Deus, através de relacionamento com Ele, é o inicio de nossa felicidade. A felicidade então somente existirá se amarmos ao Senhor Deus de todo nosso coração, e amarmos ao nosso próximo, como amamos a nós mesmos. O amor de Deus em nós fluirá uma felicidade que transcende as situações que passamos, ou melhor, mesmo nos momentos difíceis, poderemos ser felizes, pois sabemos que somos amados e amamos. O amor vence a infelicidade, pois o amor é feliz. O amor é na verdade a verdadeira busca da felicidade. Por isto homens e mulheres que buscam no amor carnal, físico ou mesmo na paixão de um relacionamento que se limita ao período chamado por nós de “vida física”, não é completo, é imperfeito, pois é dependente do tempo, do espaço, e das situações. A falta do querido traz infelicidade, e Deus nunca estará longe, somente nós podemos afastá-lo, apesar de Ele estar presente sem o percebermos. O pecado nos cega, e nos impede de ver o amor, e a presença de Deus, mesmo que este pecado seja a soberba de pensarmos que podemos ser felizes sem Deus, ou usando Deus como se Ele fosse uma “droga” para os momentos difíceis.

“Ser feliz custe o que custar”, não é uma frase de alguém que quer ser feliz, a melhor frase seria: “Custe o que custar amarei”. Neste caso você está pronto a fazer tudo para amar, e isto é à base da felicidade. Não há alegria sem amor. E o verdadeiro amor vem de Deus, pois Deus é amor. Quando entregamos nossa vida a Jesus, para Ele ser o Senhor absoluto de todas suas decisões, e atitudes, estamos no caminho da verdadeira alegria, que não está fundamentada em situações, mas em uma paz interior. Deus sabe como amar, pois Ele amou de tal maneira, ou custando tudo que poderia custar, dando seu único Filho, Jesus, para morrer em nosso lugar, ou para receber toda infelicidade em si mesmo, para podermos ser felizes.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Existe Liberdade sem a Verdade?


O homem pós moderno quer construir uma “liberdade” sem a redenção, ou a graça de Deus. Como? Olhando para trás vemos Kant substituindo a graça pela liberdade. Enquanto os teólogos falavam de natureza e graça, Kant falava de natureza e liberdade. Com seu racionalismo Kant buscou uma forma lógica de descobrir a liberdade advinda do estudo dos fenômenos da natureza. Uma forma “cientifica” de ser livre. A liberdade de Kant e dos renascentistas era uma liberdade humanista, sem a necessidade de Deus ou de sua redenção. A liberdade adquiriu um sentido diferente do sentido que Jesus Cristo deu a ela. Jesus disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).
Rousseau foi mais longe e buscou a verdade de forma política, e implantou todo tipo de conceito que restringe a liberdade. Este conceito atingiu a Revolução Francesa, a Maçonaria, que transmitiu para os republicanos. Os EUA foram forjados neste conceito de liberdade, igualdade e fraternidade. A liberdade e a igualdade, que estaria fundamentando a fraternidade, tem sido buscada sem a presença de Deus. Como se Deus fosse descartável neste processo de busca da liberdade. Existe liberdade sem Deus? Ou Igualdade sem Deus? E mesmo Fraternidade sem Deus? É certo que não, Deus é a fonte da liberdade, da igualdade e da fraternidade, que nasce da verdade que nos leva a seu Amor Redentor.
A liberdade pós moderna é uma liberdade individual, egocêntrica, e sem restrições. Como se o homem pudesse viver sem um Senhor, sem uma lei, sem uma moral, sem um Deus. Esta busca de uma liberdade que dá o direito ao homem de fazer o que quiser fazer, sem dar “satisfações” a ninguém, tem formado uma geração egoísta, sem respeito ao próximo, e sem respeito a Deus. “Porque preciso de Deus?” – Seria a pergunta de uma geração forjada na “teologia kantiana voltariana e hegeliana”. “Sou suficiente para mim mesmo”; diria a geração que busca esta liberdade a qualquer preço. Não seria então a idéia da felicidade a qualquer preço, a mesma que a liberdade a qualquer preço?
A liberdade naturalista que diminui o homem a categoria de um animal, e digo diminui, porque o homem foi colocado superior aos animais, é o próximo passo na liberdade sem Deus. Posso fazer tudo, pois sou como os animais, diriam os naturalistas, tenho “desejos” que não podem ser limitados, ou presos. Estes pensamentos naturalistas permitem o homem reagir não como animais, mas como monstros, pois os animais são mais morais. Os animais seguem as leis da natureza, que Deus estabeleceu, e isto os torna livres, é o pecado do homem que os aprisiona. Os animais não vão contra sua natureza, a não ser que o homem intrometa no processo natural. E os homens querem viver com uma liberdade que nem é natural ao próprio homem. Isto produz situações deformadoras no homem, fazendo o homem querer ser o que Deus não o criou para ser, e então sua vida torna-se não animalesca, mas destrutiva e anômala. A liberdade tão fortalecida pelos racionalista e naturalistas retirou Deus, amor e moral, e colocou o “eu” como o centro da existência humana. Este “eu” que Descartes estabeleceu como a única prova do real com seu dito: “cogito, ergo sum” (Penso, logo existo); e se existo não há duvida que eu sou o centro da existência. Este o “eu” que Voltaire zombaria para poder promover sua liberdade de falar, mesmo que isto destruísse todo conceito de um Deus amoroso e desejoso de salvar o homem. Este “eu” que Darwin diria ser meio macaco. Este “eu” que Freud tenta explicar, e coloca todo desejo do homem em sua sexualidade. Um “eu” tão defeituoso que nem mesmo sabe como ser livre, no meio de uma liberdade que é propagada como ‘conquistada’.
A liberdade oferecida pela cosmovisão pós moderna é uma liberdade escrava do medo, pois o homem sempre teme ser dominado. Na liberdade de Deus, o homem não teme ser dominado, pois já livremente torna-se servo do Senhor. Uma dominação livre da tirania que o mundo oferece, uma dominação de amor e verdade. Porque não ser livre dentro do domínio de Deus? Pois o homem sempre estará sobre um domínio, mesmo que este domínio seja o seu próprio desejo de ser como Deus, ou seja, auto suficiente.
Jesus ofereceu a liberdade através do conhecimento da Verdade, mas Ele também disse em João 8:45,46 – “Mas, porque vos digo a verdade, não me credes. Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes?” A liberdade do homem iniciará quando o homem quiser aceitar a Verdade, que Jesus ensina. Ele também diz em João 14:6 – “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. Então através de um relacionamento com Jesus, você compreenderá o que é a verdade, andará no caminho certo, e viverá a vida. Diante de todas as palavras de libertação de Jesus para a humanidade, Ele que foi Homem como nós, apesar de ser Deus, mas ter se limitado a nossa forma humana, o homem que quer ser livre tem que buscar a verdade. Mas isto somente acontecerá “se, pois, o Filho (Jesus) vos libertar”... (João 8:36); porque a liberdade que provem da libertação de Jesus, é uma liberdade que “verdadeiramente (sereis) nos faz livres”.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Filosofia grega?


Quando se estuda filosofia utiliza-se como base o pensamento grego, e ele é para a ciência moderna a fonte da filosofia. A filosofia é na concepção da própria palavra, a busca da verdade ou da sabedoria. Mas foram os gregos que iniciaram a busca da verdade? É claro que não, a verdade e o verdadeiro conhecimento ou sabedoria, sempre a busca maior do homem. Podemos dividir os conceitos como diferentes, e eu arriscaria dizer que conhecimento é o fato, a sabedoria é como utilizar o fato da melhor forma, e a verdade é a causa do fato. Este fato pode ser reconhecido como o “logos”, a essência do conhecimento, a razão da sabedoria, e a expressão da verdade.
Voltando a pergunta deste texto, os gregos pensaram sobre a verdade baseados em seus conceitos religiosos e culturais de vida, ou sua cosmovisão da vida. Quando se fala de Sócrates, Platão, e Aristóteles, a “trindade filosófica” para alguns eles são a deidade da filosofia. É fato que talvez os gregos foram os primeiros que trataram a filosofia como matéria de estudo, mas isto os coloca como a base? Ou os coloca como um degrau elevado de uma busca intensa de milênios de humanidade? Antes deles não houve outros que estudaram a filosofia no sentido de busca da verdade ou do logos? É claro que sim, na verdade muitos homens eram chamados de “sábios”, muito antes da cultura grega se formar. Porque estes não podem ser estudados como a base dos gregos? Porque considerar os gregos o início, sendo talvez eles tenham sido o clímax?
Como cristão, tenho acesso ao conhecimento da sabedoria dos judeus e dos orientais, que antes dos gregos já consideravam a sabedoria tema de estudo e de discussão. Porque a filosofia dos gregos é considerada sem influência religiosa, sendo que os gregos eram politeístas, e sua fé religiosa influenciou sim, tudo que pensavam, e a filosofia dos judeus e mais tarde dos cristãos, é considerada uma parte separada, uma parte influenciada pela religião? Os gregos incluindo a “trindade santificada pela filosofia” pensavam de uma forma, mas a forma deles pensarem não é o fim, é uma parte da caminhada humana. A matéria filosófica deveria considerar os pensamentos humanos, e deixar de relegar a filosofia de grupos religiosos como se fosse um pensamento paralelo. Os gregos também criam na sua religião, e ela influenciou tudo que os chamados filósofos falaram, até aqueles que se diziam ateus, pois esta é a religião deles, não crer num ser superior, crer em si, e no acaso. Ou seja, seu deus é o acaso, o destino, ou o seu próprio eu. Não há homem sem religião, pois a religião é a verdadeira busca ou o fenômeno humano incontestável da busca da verdade. Não considero a filosofia a busca da verdade, acho a filosofia nos moldes modernos, a busca paralela da verdade, numa tentativa insana de separar a religião da filosofia. Os gregos não faziam isto, nem nenhum povo antes. Sempre a religião foi a fonte da filosofia, e hoje os teóricos da filosofia querem separar a fonte da filosofia, o que relega a filosofia a uma busca sem resultado. Encontrar a verdade ou a verdadeira sabedoria para que? Para dizer que encontrou? Ou para utilizar com o propósito de ser feliz? Sem ser hedônico, o homem sempre buscou a sabedoria ou a verdade na sabedoria para encontrar o motivo de sua existência, como diria o inglês: “Ser ou não ser eis a questão”.
A matéria da filosofia deveria estudar os provérbios judeus, e sabedoria cristã, pois é o pensamento que mais influenciou a terra, e o mundo chamado moderno. Nossa sociedade tem mais pensamentos cristãos, que por sua vez são baseados no pensamento judeu, ou bíblico. Porque relegar a Bíblia fonte da sabedoria judaico-cristã como uma parte somente da religião, e não da origem da filosofia? Porque não utilizar Salomão como o maior dos filósofos de todos os tempos? Porque não utilizar os ensinos muito bem organizados do talmude, ou dos livros rabínicos dos judeus? A escola rabínica tem uma base cientifica tão organizada como os gregos. A escola cristã é na verdade parte da busca humana, mas é relegada como “filosofia cristã”, mas a filosofia grega, é chamada de filosofia. Não seria mais honesto dizer que a filosofia dos gregos clássicos era apenas a filosofia grega? Não deveria a ciência chamada de filosofia ensinar em blocos de pensamento? Filosofia Grega, Filosofia Judaica, Filosofia Cristã, Filosofia Chinesa, etc. Porque os teóricos da filosofia escolheram a filosofia grega como a base da filosofia? Talvez porque foram os cristãos como Agostinho que ressuscitaram a filosofia grega? Talvez seja, e historicamente eu diria que esta é a explicação melhor. Contudo sem minimizar o pensamento grego que na verdade foi parte do preparo da humanidade para receber o próprio “logos” encarnado, gostaria de sugerir incluir na matéria filosófica o estudo de pensamentos, deixando as pessoas filosofarem, e não serem induzidas a pensar como os gregos ou os ateus pensam. Quem disse que o ato de Sócrates ao suicidar foi o mais nobre? Quem disse que muitos dos filósofos gregos que aceitavam a pedofilia, além de outros modos de vida condenados pela Bíblia é uma forma de sabedoria? Porque pensar que o modo de vida está separado da sabedoria? Na Bíblia sabedoria é nossa forma de viver de forma certa ou verdadeira. Se nós olhamos para a vida de Jesus, veríamos que ele é o maior filosofo da terra, tanto em dizer como em ser o que ele diz ser. Deveríamos considerar o proceder da pessoa quando estudamos seu pensamento. Dizer uma coisa e viver outra, ou dizer uma coisa e mostrar em sua vida que sua fé é uma mentira ou não produziu nada que fosse útil para sua vida, não é querer saber a verdade, é omitir parte da verdade sobre o pensador.
Não consigo entender como os filósofos tiraram Salomão e Jesus da filosofia, sendo que eles são os maiores filósofos de todos os homens que passaram na terra. Porque Sócrates, Platão e Aristóteles, poderia ser Salomão, Jesus e Paulo, pois estes influenciaram mais o mundo que os gregos. Talvez a filosofia moderna não aceite os pensamentos judaico-cristãos como parte da estrutura fundamental da filosofia, e sim como um adendo, pois a filosofia cristã é mais dogmática. Apesar de ser considerado o dogmatismo uma “heresia” filosófica, a própria definição do que é errado já é um dogmatismo institucional, ou seja, afirmar que não podemos ter convicções sobre uma verdade incontestável e absoluta, já é em si um encarceramento do pensamento, pois cria a indução num pensamento relativista. Somos dogmáticos, mas não “dogmatistas”, que quer dizer, que somos firmes no pensamento cristão, de que a Bíblia é a verdade, mas não nos fechamos no que concerne à revelação da verdade, que pode ser renovada, reencontrada, compreendida, ampliada, entendida, contextualizada, somada, e corrigida ou reconhecido o erro estar aberto para o novo ou aquilo que nunca foi pensado.
Num mundo eclético que busca a unidade num tipo de uniformidade global com um pensamento materialista, individualista e humanista, deveríamos permitir um pensamento menos relativista, mas dogmático, sem ser dogmatista. Quando digo, dogmático, quero dizer convicto de conceitos firmes, como parte da Verdade Absoluta. Considero absoluto a afirmação joanina que o “logos” deixou de ser um conceito para ser uma manifestação clara através de uma pessoa que é Jesus Cristo, o Deus que se encarnou, se tornou homem, para revelar a verdade. Este que é Jesus disse: “Eu sou a Verdade”, ou Ele é a Verdade ou Ele foi a maior mentira da terra. Não há duas interpretações, não foi uma afirmação relativa ou eclética, foi um pensamento absoluto e convicto: “Eu Sou”. Este foi também a forma como Deus se nomeou ao legislador e grande estadista, além de profeta, Moisés: Deus se chamou de “EU SOU” (Yehova ou Jeová). “Eu sou o que sou”, é a Verdade de Deus, e é a Verdade para o Homem. Descobrindo quem Ele é, encontraremos a “Sophia” (sabedoria) de um “logos” vivo, e útil para nosso dia a dia. Num mundo pós moderno que busca sentido prático para tudo, coloquemos a filosofia dentro de um pensamento pós moderno, aberto para retirar o pensamento grego do centro da filosofia. Gosto do trio clássico (Sócrates, Platão, e Aristóteles), mas não os acho os detentores da base filosófica, pois em nenhum momento eles falaram sobre a revelação da Verdade, apesar de falarem boas coisas. E se a filosofia colocasse Jesus como o centro do pensamento filosófico, com certeza teríamos uma revolução filosófica, pois Jesus não diz buscar a verdade, Ele diz ser a própria Verdade. Contudo o homem em seus contextos diferenciados e locais, deveria compreender que sempre Deus é um universo infinito de descobertas. Neste sentido sempre poderemos descobrir e ampliar o conhecimento da Verdade, o amor a Sabedoria, a compreensão da simplicidade do conhecimento. Talvez chegaríamos a compreensão que mais sábio é o que ama, do que o que conhece. Mais sábio é temer a Deus, que temer ser incompreendido pelos homens.  

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Quem criou a chamada Partícula de Deus?



“A Partícula de Deus” como tem sido chamada o bóson de higgs analisado por cientistas é mais uma forma de tentar desvincular a existência de Deus da existência do Universo? A forma como o universo foi criado não diminui ou não prova absolutamente nada sobre a existência de Deus. Infelizmente pessoas com um sentimento ateísta e “antiteísta” gostam de usar a grandeza da imagem de Deus para chamar atenção para suas descobertas ou possíveis descobertas. Nomearam a partícula como a partícula de Deus, talvez querendo dizer que foi com ela que Deus iniciou o Universo, ou seria para dizer que a partícula que apareceu do nada num momento de um tempo que não existia, e sem intervenção de ninguém começou o Universo? Sem dúvida é um grande jogo de mídia, pois Deus é o maior e mais conhecido nome de todos os tempos e épocas.
Vamos continuar a pensar na ilógica dos que querem provar a não existência de Deus, ou a não intervenção de Deus na criação. Quem sabe tudo que existe com a perfeição das leis físicas, sob o qual todo o universo está submetido, e a forma como tudo se organizou foi um acidente ou um acaso? Tudo é perfeito por acaso? É tão ridículo e ilógico pensar que tudo aconteceu por acaso, até mesmo a idéia não provada que tudo evoluiu, quando vemos que na natureza as coisas não evoluem, mas se destroem com o tempo. Sim, um vaso ficando bilhões de ano parado não vai virar um animal, vai virar pó. Porque o homem continua tentando lutar contra a verdade que é tão clara e óbvia, de que Deus existe e que tudo que existe veio de um poder maior. Um poder maior que a possível “explosão inicial”. Explosão de poder, mas quem inventou este poder? Quem criou as leis físicas que regem o Universo? Quem fez a partícula chamada de Bóson de Higgs? Quem fez tudo se organizar tão bem organizado? Se os bósons e férmions, com seus quarks, léptons, e portadores de força formam elétrons, nêutrons e prótons, no átomo, me respondam: Quem fez tudo isto funcionar deste jeito? Porque tudo funciona da forma que funciona? Como podemos ter a certeza que o que dizem é verdade?
O homem pode descobrir a forma que o tudo foi criado ou que funciona, mas nunca sairá da realidade que tudo foi criado. As formas são apenas mais uma prova da enormidade do poder, inteligência e sabedoria de Deus. Cada vez que descobrem mais, vêem como o poder de Deus é fabuloso. Enquanto o homem tem que usar máquinas gigantescas como o Grande Colisor de Hádrons (LHC), e observar tudo com super computadores que analisam, separam e dão resultados, Deus fez tudo que existe por meio de sua Palavra. Deus disse e houve.
Fico abismado como cientistas podem não perceber a existência de Deus, depois de descobrem os mistérios, ou melhor, pensarem que descobriram, pois no futuro tudo pode ser descoberto como parte de um sistema muito diferente que tudo que pensávamos, pois para chegar a uma conclusão temos que ter hipóteses que podem ser não verdadeiras. A partícula chamada de Bóson de Higgs, que nem pode ser comprovada, pois em um tempo pequeníssimo desaparece, e somente pode ser vista pelos computadores, se existe e for o inicio de algum tipo de explosão ou de formação de energia, é apenas uma “partícula de Deus”, e não a partícula que forma Deus. Pois Deus é espírito, e não está submetido às leis naturais, Ele fez as leis naturais. Na eternidade não existe tempo e espaço, ou mesmo a velocidade que são noções físicas.
Einstein chamou de “mistério cósmico profundo” aquilo que pode ser chamado de “espiritual”. Qualquer cientista sabe que existe um momento da ciência que temos que aceitar que existem forças e mistérios muito superiores a tudo que podemos imaginar. A própria lógica da existência de Deus é incontestável, pois está em todo ser humano, em todos os tempos, locais, e culturas. O homem isolado no meio do nada pensa que Deus existe. Quem colocou este pensamento no homem? O homem não consegue pensar no nada, ou no que não existe, ele constrói tudo a partir de algo que existe. O homem não cria, ele recria a partir do que foi criado. O homem não é Deus, mas tudo começou a dar errado para o homem quando ele quis determinar o que é certo e o que é errado. E ainda quer determinar o bem e o mal, como se fosse o que criou a sociedade, ele não criou, ele organizou e está organizando, mas tudo que organizou segue os pensamentos que Deus colocou no próprio homem, através a observação lógica das leis que Deus estabeleceu na natureza. Num momento histórico o homem escolheu que fazer o que ele quer, sem considerar o amor e a vontade d’Aquele que era seu amigo e pai, e isto o levou a tentar construir uma sociedade que elimina o peso da culpa. A culpa que sempre estará no homem, à culpa de estar longe da única pessoa que realmente completa sua vida, ou seja, Deus. Culpa que somente pode ser resolvida, com a volta para um relacionamento sincero e real com Deus, pois somente aceitando-o é que o homem consegue ser livre. Mas para ser restituído este relacionamento é necessário se submeter à forma como Ele, o Criador, determinou que o “bóson da fé” explodiria uma nova vida. No caos ou no vazio de uma vida sem vida, a fé de que Jesus Cristo foi o salvador por meio de sua morte e ressurreição e o arrependimento de seu pecado individual, o ‘bóson da fé’ recriará um universo de vida, num homem sem vida, apenas existente.
Se quiser fazer uma parábola, pense nesta: “A partícula enviada do céu acelerou a uma velocidade de amor fabulosa e bateu na outra partícula que vinha no sentido contrário com a velocidade da morte e do pecado, e com este encontro fenomenal, a energia de luz que produziu recriou o inicio de um novo universo para o homem ser recriado, e nascer de novo, ou ser uma nova criatura em Cristo Jesus.”

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Antítese é a forma certa de pensar?



O que é antítese? Simples, “se algo é verdadeiro, o oposto é mentiroso”. Também poderia ser se algo é bom, o oposto é mal. Será que isto é a forma certa de pensar? Aparentemente é muito lógico, mas é Bíblico? A lógica é algo pouco lógico dentro do pensamento de Deus, pois Deus não pensa como nós, seus pensamentos são mais altos que os nossos. Diz a Bíblia: (Isaías 55:9) - “Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”. No campo da moral, se um determinado preceito é certo, o contrário é errado. Eu diria que a antítese não é a verdade, mas a verdade é que: “tudo que Deus diz ser certo é certo, e tudo que Ele diz ser errado é errado”. Ele é o que determina o certo e o errado, e é Ele que determina o que é bom e o que é mal. Deus não é limitado a nada. Ele não precisa ser limitado a lógica da Antitese, Ele cria o bem e o mal, pois tudo que Ele diz ser o bom é bom, e tudo que Ele diz ser o mal é mal. Ele não precisa seguir uma lógica humana, ou presa a natureza que foi criada por Ele. O que Ele faz, diz e pensa é sempre o correto. A idéia que temos que justificar Deus é uma herança da ditadura do iluminismo ou do racionalismo reinante no mundo. Deus não precisa se explicar, Ele se revela como Ele é, e isto é o suficiente para o homem, que deve apenas se submeter a sua soberania e amor. Tudo que Ele faz é amor, e além disto é tentar explicar que o amor não é amor. Deus é o centro da determinação, além disto é querer “comer da árvore do conhecimento do bem e do mal”, que faz do homem o que determina o certo e o errado, o bem e o mal. Quando o homem determina o certo e o errado, o bem e o mal, o homem se coloca como um deus. Por isto obedecer a Deus é o certo, pois assim estaremos sempre certos. Mas existe somente um problema para nós, o que Deus quer? Entretanto existe esperança, pois Ele sabe que “somos pó”, e Ele nos ajuda “em nossas fraquezas”. 
Então quando algo parecer errado na Bíblia, lembre-se que somente será errado se Deus explicitamente dizer que é errado. Neste mundo pós-moderno podemos aceitar que no absoluto de Deus, na verdade divina, existe um mistério entre o que é certo e o que é errado. Contudo um coração sincero criará um relacionamento com Deus, e este relacionamento pessoal será a "chave" para descobrir por meio da Bíblia o que Deus quer. O que Deus quer estará ligado a seu amor, pois Deus é amor. Ame antes de pensar, e pense  amando, para descobrir no meio de seu erro, como a misericórdia triunfa sobre o juizo.